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Delator gravou acordos e relata repasses de propina a Ricardo Coutinho, ex-governador da PB

Daniel Gomes gravou conversas com ex-governador desde 2010 sobre propinas e disse que governador Jo√£o Azevêdo também pediu ajuda para campanha de 2018. [...]

Por Campos em 24/12/2019 às 08:54:23


Daniel Gomes gravou conversas com ex-governador desde 2010 sobre propinas e disse que governador Jo√£o Azevêdo também pediu ajuda para campanha de 2018. Ex-secret√°ria Liv√Ęnia Farias delatou entrega de propinas a Ricardo. Ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e governador Jo√£o Azevêdo (sem partido) s√£o alvos da Opera√ß√£o Calv√°rio

Junior Fernandes/Secom-PB - André Lúcio/Secom-PB

Uma propina de em média 10% foi paga ao ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho por organiza√ß√Ķes sociais investigadas por fraudes, esquema desarticulado na Opera√ß√£o Calv√°rio. Em vídeos exibidos neste domingo (22) pelo Fant√°stico, o empres√°rio Daniel Gomes, delator do esquema, afirmou aos investigadores do Gaeco do Ministério Público que os repasses foram negociados com Ricardo Coutinho (PSB) desde 2010, gravou di√°logos sobre entregas de dinheiro e disse que o esquema ilegal teria continuado com o atual governador Jo√£o Azevêdo (sem partido).

Opera√ß√£o Calv√°rio: entenda investiga√ß√£o que desarticulou esquema em hospitais na Paraíba

À reportagem da Rede Globo, o Governo do Estado informou que "nunca houve acerto para manuten√ß√£o da presta√ß√£o de servi√ßo na saúde, que o governador Jo√£o Azevêdo n√£o compactua com qualquer ato irregular que tenha sido praticado anteriormente e muito menos se envolve com atos que n√£o sejam de moralidade administrativa".

J√° a defesa de Ricardo Coutinho disse que "n√£o se pode concluir que numa conversa gravada h√° tantos anos, por exemplo, implique necessariamente num ato de corrup√ß√£o. Até porque s√£o valores estratosféricos. O ex-governador n√£o tem patrimônio".

A Opera√ß√£o Calv√°rio investiga uma suposta organiza√ß√£o criminosa que desviou R$ 134,2 milh√Ķes de recursos da saúde e educa√ß√£o. Foram presas 14 pessoas, sendo nove na Paraíba, duas no Rio Grande do Norte, uma no Rio de Janeiro e uma no Paran√°. Todos os 54 mandados de busca e apreens√£o foram cumpridos. O ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho tinha mandado de pris√£o preventiva expedido, mas estava em viagem de férias fora do país e foi preso ao retornar ao Brasil, na quinta-feira (19). Ele e outras quatro pessoas foram soltas no s√°bado (21), após decis√£o do Superior Tribunal de Justi√ßa (STJ).

Dela√ß√£o contra Ricardo Coutinho e Jo√£o Azevêdo

O delator Daniel Gomes, preso em dezembro de 2018, tinha contratos com o Governo da Paraíba por meio de organiza√ß√Ķes sociais. Ele responde em liberdade, após entregar aos investigadores grava√ß√Ķes de conversas com o ex-governador Ricardo Coutinho e com assessores dele sobre acordos fraudulentos e entregas de propinas. Segundo Daniel, o valor médio das propinas era de 10% sobre os contratos.

Daniel Gomes: "Eu consigo trabalhar seguramente com 10%, esse número é bem seguro".

Ricardo Coutinho: "Mas isso no início ou no fim?"

Daniel Gomes: "Posso fazer quando o senhor fizer a primeira entrada aqui, eu j√° consigo viabilizar parte, posso adiantar".

Em uma conversa gravada em novembro de 2017, o delator afirma que explica a Ricardo Coutinho sobre dois repasses de propina de R$ 1,5 milh√£o, cada.

Daniel Gomes: "Ent√£o governador, hoje eu tô com 1.5 disponível. O outro 1.5 eu acho que no início de janeiro".

Ricardo Coutinho: "Liv√Ęnia t√° sabendo?"

Daniel Gomes: "N√£o".

Daniel Gomes relata esquema de pagamento de propinas em delação na Operação Calvário

Reprodução/TV Cabo Branco

Segundo a investiga√ß√£o, Liv√Ęnia Farias, ex-procuradora geral do estado e ex-secret√°ria de administra√ß√£o, presa em mar√ßo deste ano e que também fez dela√ß√£o premiada sobre o suposto esquema de corrup√ß√£o, houve entregas de dinheiro a Ricardo Coutinho por meio de caixas. Conforme o MPPB, Liv√Ęnia Farias teria recebido, por mês, propina na ordem de R$ 80 mil.

"Entreguei ao governador Ricardo Coutinho. Era um valor de R$ 800 mil. Nas m√£os dele", diz Liv√Ęnia Farias na dela√ß√£o, sobre repasse que teria sido feito em 2018.

Em outros trechos, Liv√Ęnia afirma que entregou R$ 1 milh√£o ao ex-governador, e também relata uma entrega feita no ano passado, em uma caixa de vinho, por meio do assessor Leandro Nunes, que teria ido buscar a propina no Rio de Janeiro. Ele também foi preso, em fevereiro, e afirmou que o dinheiro era para ajudar na campanha de Jo√£o Azevêdo, também ex-secret√°rio do estado, eleito governador em 2018. Conforme a investiga√ß√£o, o dinheiro era para pagar material de campanha, como adesivos e bandeirinhas.

O esquema, originalmente feito por meio de fraudes na saúde, foi estendido para a √°rea da educa√ß√£o. O superintendente regional da Controladoria Geral da Uni√£o (CGU), Severino Queiroz, afirmou que havia empresas contratadas irregularmente por R$ 90 milh√Ķes para aquisi√ß√£o de livros e material gr√°fico.

Segundo a investiga√ß√£o, houve uma compra de 300 mil agendas sem licita√ß√£o, cada uma a R$ 20. Em outros estados, material parecido foi comprado por R$ 3 e também por 60 centavos. O superfaturamento foi de até 450%.

Liv√Ęnia Farias relatou entregas de propina ao ex-governador Ricardo Coutinho

Walter Paparazzo/G1/Arquivo

Operação Calvário

A a√ß√£o desencadeada pelo Gaeco do Ministério Público e Polícia Federal na ter√ßa-feira (17) teve objetivo de combater uma organiza√ß√£o criminosa atuante em desvio de recursos públicos destinados aos servi√ßos de saúde no Estado da Paraíba, por meio de fraudes em procedimentos licitatórios e em concurso público, corrup√ß√£o e financiamento de campanhas de agentes políticos, bem como superfaturamento em equipamentos, servi√ßos e medicamentos.

A opera√ß√£o, realizada em conjunto com o o Grupo de Atua√ß√£o Especial de Repress√£o ao Crime Organizado GAECO/PB, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da Uni√£o – CGU, apura desvio de recursos públicos na ordem de R$ 134,2 milh√Ķes, dos quais mais de R$ 120 milh√Ķes teriam sido destinados a agentes políticos e às campanhas eleitorais de 2010, 2014 e 2018.

Governador e ex-governador da Paraíba s√£o alvos da 'Opera√ß√£o Calv√°rio'

Arte/G1

Fonte: G1

Tags:   G1

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